segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Oito policiais afastados por tiroteio em Milagres com seis reféns mortos retornam às funções
Ao todo, 12 policiais que participaram da operação foram afastados das atividades desde o fim do ano passado.
Por G1 CE
21/01/2019 17h22 Atualizado há 19 minutos
Vítimas de tiroteio foram levadas para Perícia Forense em Milagres, no Ceará — Foto: Edson Freitas
A comissão que investiga morte de reféns na tentativa de assalto a banco na cidade de Milagres conclui que oito dos 12 policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) envolvidos na ação não tiveram participação direta no confronto. Os oito agentes retornaram às atividades normais, informou a Secretaria de Segurança Pública do Ceará nesta segunda-feira (21). Os outros quatro policiais permanecem afastados até a conclusão da investigação.
O grupo foi retirado das funções em 10 de dezembro de 2018. Os policiais participaram de operação para impedir que suspeitos atacassem duas agências bancárias em Milagres, na madrugada do dia 7 de dezembro. Ao todo, 14 pessoas morreram. Seis delas eram reféns, sendo cinco de uma mesma família. Os demais eram assaltantes.
Carro em que vítima estava junto com criminosos foi atingido por diversos tiros em Milagres, no Ceará — Foto: Antônio Rodrigues/DN
“O trabalho concluiu que eles não atuaram diretamente no confronto com suspeitos, que resultou na morte de reféns”, informou a secretaria.
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) investiga a responsabilidade dos agentes de segurança nas mortes. O Ministério Público do Ceará (MPCE) acompanha e fiscaliza as investigações.
Além de oito suspeitos mortos no tiroteio com os policiais, outros oito foram presos.
'Vocês mataram minha irmã'Suspeitos de participarem da tentativa de assalto a bancos em Milagres serão ouvidos nesta terça-feira (18), em Juazeiro do Norte. — Foto: Isaac Macedo/TV Verdes MaresNa época, uma refém que sobreviveu ao tiroteio informou que os tiros que mataram os suspeitos e os familiares partiram dos policiais.
"Fiquei com a minha filha dentro do carro já morrendo, com o sangue fervendo na goela, e eu pedindo socorro, gritando, mas não apareceu ninguém. Quando meu menino se deitou no chão que a polícia começou a chegar nele, ele disse 'Vocês mataram minha irmã!' E o policial fez assim", disse agricultora Maria Larilda Rodrigues, replicando o gesto do agente de segurança com as mãos na cabeça.
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